Brasileiros são aliciados com falsas promessas e acabam trabalhando em regime de escravidão no Laos
Autoridades investigam um esquema de tráfico humano ligado ao Jogo do Tigrinho, onde brasileiros são forçados a atuar como recrutadores em condições desumanas.
O popular Jogo do Tigrinho, além de ser considerado uma plataforma de apostas ilegais, agora está associado a um esquema internacional de tráfico de pessoas. De acordo com investigações da Polícia Federal e da Interpol, brasileiros estão sendo aliciados com promessas de emprego na Ásia e, ao chegarem ao Laos, descobrem que foram enganados e submetidos a trabalho forçado.
A promessa inicial é de um salário de US$ 1.500, (cerca de pouco mais de R$8.000) para atuar como tradutor, mas a realidade no país asiático é outra: os recrutados são trancados em quartos lotados, funcionando como call centers clandestinos, onde são obrigados a convencer outros brasileiros a apostarem no jogo ou a atrair influenciadores digitais para divulgar a plataforma.
Cada espaço confinado abriga cerca de 10 pessoas, a maioria brasileiros, submetidos a jornadas de até 14 horas diárias, com apenas um dia de folga por mês. Denúncias apontam que aqueles que tentam fugir sofrem agressões e até extorsão para conseguirem a liberdade.
Um dos casos mais chocantes envolve uma mulher que foi atraída ao Laos com a promessa de atuar como missionária em uma igreja. Em um vídeo divulgado na internet, ela relatou ter sido mantida sob vigilância e sofrido agressões, sendo libertada apenas após pagar um "resgate".
Por trás do Jogo do Tigrinho, ou Fortune Tiger, a diversos outros crimes envolvidos, como lavagem de dinheiro, e crime de piramide financeira.
As autoridades brasileiras já estão trabalhando em conjunto com organismos internacionais para tentar resgatar as vítimas e desmantelar a organização criminosa responsável pelo esquema.
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